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As lições que aprendi com os meus chefes

Todos nós carregamos um pouco das pessoas com as quais aprendemos e, não raro, “tomamos posse” de algumas competências como se fossem exclusivamente nossas.

Olhando para minha própria trajetória, vejo minhas habilidades como uma grande colcha de retalhos. No início da carreira, 80% dela era feita de conhecimentos e experiências próprias.

Com o tempo, essa proporção se inverteu, e hoje, a maior parte vem dos muitos “retalhos” que ganhei ao lado de pessoas com quem aprendi ao longo da carreira.

Tive muitos chefes, mas compartilho aqui cinco que deixaram marcas profundas:

Osiris Cabral – O Gestor

Ainda jovem, eu trabalhava em uma organização responsável pela área de compras, respondendo à matriz no exterior. Osiris assumiu a operação no Brasil, e eu já o conhecia como jovem executivo.

Antes mesmo de tomar posse, entrou na minha sala, colocou seus objetivos sobre a mesa e pediu que eu preparasse os meus para uma reunião dali a dois dias.

Assim foi nosso ritmo, com muita disciplina, por cinco anos. Deixou em mim uma base sólida de gestão que sigo até hoje.

Sérgio Tieppo – O Embaixador

Ítalo-brasileiro, fluente em cinco idiomas, sua presença era magnética.

Conversava com autoridade sobre qualquer assunto, com natural elegância. Os clientes o adoravam.

Com ele, aprendi sobre diversidade , pois nosso time era multicultural. Ele cobrava resultados com firmeza, mas sua habilidade de coaching era nata.

Trabalhei com Sérgio por oito anos, em diferentes posições, com relacionamentos e presença em muitos países. Ali se consolidou meu DNA de gestão.

Bob Becker – O Vendedor

Homem de campo, apaixonado por clientes e por resolver problemas. Duas frases suas me marcaram:

• “Corra para o problema, não do problema.”

• “Windshield time” : tempo de para-brisa, referindo-se ao valor de estar lado a

lado com o vendedor, dentro do carro, no campo, ajudando na prática.

Com Bob, ganhei tática, proximidade e execução.

Todd Bluedorn – O Militar

Graduado pela Academia Militar de West Point, EUA, assumiu como VP das Américas no mesmo momento em que assumi o Brasil.

Preparei uma apresentação detalhada da operação em sua primeira visita. Para minha surpresa, ele começou perguntando sobre pessoas: líderes, sucessores, planos de desenvolvimento. Ali aprendi:

 O verdadeiro líder é, antes de tudo, o responsável por sua equipe. O RH apoia, mas quem lidera, desenvolve e cuida das pessoas, é o gestor. Isso é indelegavel.

 Em comum, tínhamos o gosto por livros sobre a Segunda Guerra Mundial, e seus títulos eram (obviamente), sempre mais ricos que os meus. A minha biblioteca aumentou consideravelmente!

Elbio Fernandez Mera – O Empreendedor

Na minha “segunda carreira”, comecei como consultor com Fernandez. Certo dia, ao lado do filho Gonzalo, ele sugeriu: “Chega de conselho, venha pôr a mão na massa.”

Foi um choque de realidade depois de anos em multinacionais, ao mesmo tempo que um riquíssimo aprendizado.

Um empresário apaixonado pelo Brasil e otimista incansável. Nossas trocas eram riquíssimas. Trabalhamos juntos por dez anos. Em 2020, ele nos deixou por complicações da Covid. Perdi um verdadeiro amigo.

Com os chefes com os quais tive problemas também aprendi. As dificuldades me trouxeram resiliência, humildade e lições que só os desafios ensinam.

No balanço final, os cinco grandes “retalhos” que compartilhei aqui deixaram um saldo profundamente positivo.

E você? Teve um chefe que deixou uma marca que carrega até hoje? Compartilhe nos comentários. Seu exemplo pode inspirar alguém que está começando agora.

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