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Ética e o Duelo de Gigantes: PwC China e Banco Master Brasil

Quando dois pilares de confiança falham, a auditoria e o sistema bancário, o impacto vai muito além dos números.

Há cerca de um ano antes da explosiva notícia sobre o Banco Master, na China, a punição à PwC revelou uma fragilidade que poucos imaginavam. A Evergrande (gigante do mercado imobiliário) havia inflado receitas em cerca de R$ 390 bilhões (US$ 78 bi), e a auditoria não identificou o problema.

O governo reagiu com força: multa de R$ 350 milhões (US$ 60 mi), suspensão por seis meses e perda significativa de honorários, mais de 60 “partners” perderam o emprego, e uma sombra surgiu sobre a credibilidade das auditorias independentes. É um lembrete de que, mesmo entre gigantes globais, a negligência ética tem preço alto.

No Brasil, o caso do Banco Master trouxe um choque de outra natureza. As fraudes estimadas chegam a R$ 12 bilhões (US$ 2,2 bi), mas o impacto real extrapola esse número. O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) terá de pagar R$ 41 bilhões (US$ 7,5 bi), no maior resgate de sua história. Milhões de clientes afetados e um alerta severo sobre a vulnerabilidade dos bancos médios. A confiança, tão difícil de construir, pode ruir em poucas horas.

Embora diferentes, os dois casos se encontram em um ponto: quando instituições que deveriam proteger o sistema falham, toda a sociedade paga a conta.  Quando episódios desse tipo surgem, nos perguntamos: até quando? Quem pode realizar mudanças estruturais que realmente impeçam novas fraudes? Foram os controles que falharam? Ou foi a consciência de quem deveria segui-los?

Dois escândalos bilionários, separados por poucos meses, em culturas opostas, distantes quase no limite do globo. Talvez isso nos diga mais sobre a natureza humana do que sobre a natureza dos controles.

As duas fraudes envolveram centenas de pessoas que sabiam o que faziam, e concordaram em fazê-lo, nos dois lados do mundo. Sou bastante realista: o crescimento das fraudes se multiplica no planeta. Os atrativos financeiros aumentam, e as miragens de prosperidade se tornam cada vez mais sedutoras. Portanto, situações desse tipo, continuarão a crescer.

Em algum momento da carreira, não tenha dúvidas que você terá de decidir de que lado quer ficar. Essa decisão pode nascer de passos pequenos, quase invisíveis. É como desviar apenas cinco graus da trilha, e depois de cem quilômetros, você descobre onde foi parar.

Restam as perguntas:

Você já viveu esse momento? Qual foi a sua decisão? Você reconhece os sinais de que uma escolha ética está próxima? Consegue resistir quando a maioria sugere o atalho? Quais os alertas que você deve criar como defesa?

No início de minha carreira, ouvi de um excelente gestor: “Danilo, não existe pessoa honesta. Tudo é uma questão de preço.

”O mundo se divide entre os que acreditam nisso e os que têm certeza do contrário. Vale a pena a ponderação, de qual dos dois grupos você quer estar.

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