
RH e Compliance: a consciência que mantém a empresa viva
No artigo de hoje, quero falar sobre princípios. É muito mais fácil apresentar ideias através de passos e recomendações. No entanto, os princípios são muito mais profundos. Eles são o verdadeiro guia para ações e decisões, especialmente na ausência de regras claras. Esse conceito se aplica diretamente à relação entre Recursos Humanos e Compliance.
Uma empresa pode ter missão e objetivos bem definidos. Pode até alcançar sucesso, mas, sem ética, será uma organização sem alma.
Acho fascinante o termo em português: "Pessoa Jurídica". Essa "pessoa" é, de fato, um organismo vivo, no qual todo o corpo segue os impulsos e comandos da "cabeça". E se essa mente estiver poluída por irregularidades, todo o corpo será contaminado.
Em empresas com uma cultura tóxica, a causa raiz está sempre ligada à falta de ética. Pode ser a ausência de transparência e comunicação, ou ainda o comportamento abusivo de gestores, muitas vezes mascarado como “estilo”. Também pode ser o acúmulo de casos de assédio ou a inexistência de um canal de confiança para reportá-los. A lista é infinita.
Não é raro ver gestores perderem a autoridade moral para exigir comportamentos éticos, especialmente quando atos impróprios são tolerados sob a sua gestão.
Uma das missões mais importantes do RH é cuidar da integridade e do bem-estar moral das pessoas em uma organização. Junto com a área jurídica, RH atua como a “consciência” da “cabeça” da empresa. No entanto, o RH vai além: ele trabalha diretamente com o “corpo”, sente as suas dores, promove alívios e, principalmente, atua na prevenção de problemas.
O fato é que o Compliance não funciona sem uma papel ativo de RH. E, se por infortúnio, a “cabeça” da empresa não permitir essa atuação, é hora de buscar outra pessoa... jurídica. Afinal, o corpo dessa organização estará condenado a viver na toxicidade.