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Até onde nos levará essa viagem fantástica chamada Inteligência Artificial?

No 10 de fevereiro passado, Elon Musk fez uma oferta de compra do ChatGPT de US$ 97,4 Bilhões, reascendendo uma disputa com Sam Althman, CEO da plataforma. Esses choques, com razões estratégicas e de fundo ético, remontam desde 2018, quando Musk deixou a organização, depois de juntos, em 2015, terem criado o ChatGPT.

Na minha mente, começa a se formar um mosaico fantástico sobre esse assunto, mas ao mesmo tempo intrigante.

Em 2021, foi lançada no Brasil o livro “Inteligência Artificial a Nosso Favor – Como manter o controle sobre a tecnologia”, de autoria do Prof. Stuart Russell, uma autoridade mundial no assunto. Junto com Peter Norvig, foi coautor do livro “Inteligência Artificial”, adotado por instituições de ensino em mais de 100 países.

Nessa obra, Russell discute um ponto fundamental: a relação entre a IA e a inteligência humana, e quais os riscos da primeira se interpor à segunda. Seu livro traz um cenário detalhado, mas deixando-nos sem uma resposta clara para esses questionamentos filosóficos e científicos.

Enquanto isso, nos últimos dois anos, alguns fatos ocorreram com Sam Althman. No dia 17 de novembro de 2023, ele foi retirado abruptamente do cargo de CEO, por parte do conselho, sob alegações de que a rapidez do crescimento estava ferindo conceitos éticos e de confiabilidade. Altham reverteu a situação, e voltou à liderança.

Os membros do conselho que foram demitidos eram Greg Brockman, cofundador da OpenIA e Ilyia Sustskever, também cofundador e cientista chefe da OpenAI. Lembro-me do fato ter sido destacado por Pedro Doria, em sua coluna de O Estado de São Paulo, mostrando a concentração de poder nas mãos de tão poucas companhias, que pode limitar a transparência e a responsabilidade pública.

Outro fato curioso, foi o do jovem Suchir Balaji, ex-funcionário da OpenAI, encontrado morto em seu apartamento em São Francisco no dia 26 de novembro de 2024. A causa foi dada como suicídio. No entanto, sua morte ocorreu em um contexto polêmico relacionado à OpenAI.

Balaji havia se demitido da empresa em agosto de 2024, após expressar preocupações éticas sobre as práticas da OpenAI, especialmente o uso de dados protegidos por direitos autorais para treinar modelos de IA, como o ChatGPT. Sua família questiona a versão do suicídio e pediu a reabertura das investigações.

A união de todos esses fatos, é no mínimo, preocupante, principalmente quando uma companhia como a OpenAI chega ao valor de mercado de US$ 300 Bilhões. Onde estará a fronteira da Ética, para dar o retorno esperado aos acionistas (Microsoft, Nvidia, entre outros), e respeitar o limiar de uma tecnologia ainda nascente?

Em novembro de 2024, ocorreu o lançamento global do livro “Gênesis – Inteligência Artificial, Esperança e o Espírito Humano”, traduzido até agora para Portugal. Desconheço os planos de seu lançamento no Brasil.

A obra tem a coautoria póstuma do brilhante Henry Kissinger, pouco tampo antes do seu falecimento em 2023, com 100 anos de idade, de Eric Schmidt, ex-CEO da Google, e de Craig Mundie, ex-diretor de pesquisa e estratégia da Microsoft. Já é vista como uma das principais publicações de não ficção de 2024, endossada por Bill Gates e Condoleezza Rice.

Seu foco é interação humana com a IA trazendo as mesmas preocupações de Stuart Russel, a concentração da tecnologia, e algumas ponderações de certa forma alarmantes. Por exemplo, desconhece-se os algoritmos de autoconhecimento e desenvolvimento da IA. A velocidade e acúmulo de conhecimento, ultrapassa de longe a do cérebro humano.

Um questionamento peculiar dos autores: Se o método de lógica e desenvolvimento se baseia no cérebro humano, que ainda é desconhecido, o que se pode esperar do avanço do conhecimento nesse campo da IA?

Nessa viagem fantástica, sinto-me como viajando em um foguete pela primeira vez, extasiado com a tecnologia, mas com a ansiedade preocupante de não saber o seu destino.

E você? Qual o seu sentimento a esse respeito?

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