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A difícil constatação de que o seu bebê é feio

Todo executivo já se sentiu pai de uma ideia. Aquela ideia nascida no silêncio da madrugada, alimentada com entusiasmo, batizada com cuidado, apresentada à equipe como se fosse a salvação da lavoura.

O problema é quando esse “bebê” começa a crescer e revela feições bem diferentes das que você imaginava. Em vez de uma obra-prima, você se dá conta. ou alguém o faz perceber, de que a sua ideia, na prática, é… feia.

Constatar isso dói. Ainda mais quando você a defendeu com paixão em reuniões, vestiu a camisa, investiu recursos, envolveu pessoas. É como ter convidado toda a família para ver o bebê e, de repente, perceber que ele não causa sorrisos, mas constrangimento.

A maturidade de um líder é medida, muitas vezes, pela capacidade de reconhecer quando uma ideia sua não funcionou. Ou, pior, quando nunca deveria ter saído do papel. O que fazer nessa hora? A pior escolha é tentar salvar algo já condenado, apenas por vaidade ou orgulho.

A insistência em manter projetos mal desenhados tem um custo alto, principalmente quando a equipe inteira já percebeu que o “bebê é feio” e só falta coragem para dizer.

Certa vez, um grande executivo me disse: “Eu gosto de ideias, mas não sou casado com nenhuma delas. Se não funcionar, troco sem cerimônia”. Essa frase resume o espírito de quem lidera com inteligência emocional e foco em resultados. Não se trata de desistir fácil, mas de reconhecer a realidade com lucidez e, se necessário, mudar de rumo.

Mais do que isso, líderes inspiradores criam um ambiente onde as pessoas têm liberdade para alertar quando algo não vai bem. Onde o silêncio não é imposto pela hierarquia, e a lealdade se manifesta na coragem de dizer a verdade.

Num ambiente assim, o líder também se sente à vontade para rir de si mesmo e dizer: “Pessoal, eu me empolguei com essa ideia, mas agora vejo que ela não se sustenta. Vamos deixá-la no berçário e seguir em frente”.

A liderança moderna não é feita apenas de grandes acertos. Ela também se constrói com humildade nos erros, capacidade de rever caminhos e, sobretudo, com disposição para ouvir.

Às vezes, tudo começa com a simples, porém poderosa, constatação: “Acho que o meu “bebê” é feio”. E isso não é o fim do mundo. Pode ser, na verdade, o começo de algo muito melhor.

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